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Um Sindicato fazendo história e estrada

No sábado, 2 de agosto, prestou juramento a nova Diretoria do Sindicato e foram comemorados os 25 anos de sua fundação. O ato contou com a presença do Ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias, do presidente da CUT, Vagner Freitas, e de Siderlei de Oliveira, presidente da CONTAC, entre outras personalidades. A seguir, transcreveremos uma síntese da intervenção de Gerardo Iglesias, representante de nossa Internacional.
Em sua introdução, Gerardo Iglesias destacou a presença do Ministro neste evento, dizendo: “Fico feliz de voltar a vê-lo. Vocês – dirigindo-se ao público – devem saber que quando houve o golpe de estado aqui no Brasil em 1964, centenas de sindicalistas, estudantes e políticos se refugiaram no Uruguai. Depois, em 1973, houve o golpe militar no Uruguai, e muitos compatriotas chegaram principalmente ao sul do Brasil.
 
Sabemos muito bem que a casa de Manoel Dias foi um local de refúgio, e que muitos uruguaios, homens e mulheres, receberam o apoio e a solidariedade do Partido que o senhor representa (PDT), senhor Ministro. Nós não nos esquecemos disto, e não devemos nos esquecer nunca de toda essa solidariedade”, enfatizou Iglesias.  
 
Um Sindicato de todos e para todos
 
A seguir, Gerardo Iglesias elogiou a luta do Sindicato, assinalando que “já faz alguns dias que estamos aqui em Forquilinha, e vimos na porta do frigorífico (JBS) como as companheiras entregavam o material informativo em inglês e em francês para os imigrantes do Haiti e de vários países africanos. Vimos também como a maioria das trabalhadoras e dos trabalhadores saudavam calorosamente as nossas companheiras do Sindicato. Isto revela o bom diálogo existente entre a organização e a base.
 
Porém, além desse trabalho na porta do frigorífico, sabemos que os delegados do Sindicato realizam uma tarefa de fiscalização permanente dentro da própria unidade de produção, o que neste país não é nada comum.
 
Casos como este, podemos contar nos dedos de uma mão, pois como bem diz o companheiro Vagner Freitas, presidente da CUT, o que não há no Brasil é liberdade sindical, e pareceria que a democracia ainda não chegou aos centros de produção, que são enclaves autoritários.
 
É por isto – continuou o secretário regional da UITA – que este país ocupa os primeiros lugares em acidentes de trabalho no mundo; é por isto que enquanto os frigoríficos engordam e crescem em participação no mercado internacional, os trabalhadores e trabalhadoras são massacrados pelo ritmo infernal e frenético de trabalho”.
 
Alianças na comunidade para ser e fazer mais
 
Nesta mesma linha de pensamento, Gerardo Iglesias ressaltou outra característica do Sintiacr, ao identificar que o Sindicato não só vela pelas reivindicações econômicas, como também vai ao encontro de outras problemáticas de seus associados com um enfoque onde o trabalhador é visto como cidadão e em um contexto social que transcende o seu emprego.
 
“Este Sindicato soube, como poucos, se articular na luta com outras organizações da sociedade civil, e somos testemunhas da aliança feita com a Associação de Avicultores, que também sofre de maus tratos e de autoritarismo por parte de uma companhia quase monopólica na região.
 
É por isto que nesta mesa há representantes dessa Associação, porque ficou claro que é possível e fundamental trabalhar em conjunto na busca pelas melhores soluções”, ressaltou.
 
Por último, dirigindo-se a Célio Alves Elias, presidente do Sindicato, Gerardo Iglesias se comprometeu: “Querido Célio, você sabe que conta com o apoio incondicional de nossa Internacional, com o apoio da CONTAC e de suas federações filiadas.
 
Saiba que há uma equipe de trabalho integrada pelo Dr. Roberto Ruiz, pelos procuradores do Ministério Público do Trabalho, importantíssimos na atuação em favor da dignidade do trabalho nos frigoríficos, bem como pela própria CUT, que estará sempre às suas ordens, apoiando o Sindicato que tanto nos ensina e nos anima a continuar essa luta”, concluiu. 
 
Foto: Lucía Iglesias