MBRF propõe reestruturação de seu frigorífico em Tacuarembó
Após a suspensão das exportações para a China, a MBRF (Marfrig) apresentou ao Ministério do Trabalho uma reestruturação para sua unidade de Tacuarembó que prevê 150 demissões e mudanças na produtividade e na composição dos salários. A proposta reproduz, com chamativas semelhanças, o esquema impulsionado meses atrás pela transnacional brasileira em sua planta do Estabelecimento Colonia, em Tarariras.
Amalia Antúnez
26 | 8 | 2026

A Federação Operária da Indústria da Carne (FOICA) rejeitou a proposta e alertou que se inicia uma negociação de longo prazo.
A crise do Frigorífico Tacuarembó parece ter uma resposta conhecida: reestruturar, reduzir pessoal e modificar as condições salariais e de produtividade.
Na semana passada, a MBRF apresentou ao Ministério do Trabalho e da Seguridade Social uma proposta de reestruturação para sua principal planta no Uruguai.
A proposta prevê uma redução de aproximadamente 150 postos de trabalho e mudanças nos mecanismos de produtividade e na composição dos salários que, segundo denuncia o sindicato AOEFRIT, em alguns casos chega a cerca de 50%.
A proposta foi rejeitada por unanimidade pelos trabalhadores.
O presidente da FOICA, Martín Cardozo, afirmou que não se trata apenas dos 150 desligamentos, mas que a empresa propõe uma transformação mais ampla da organização do trabalho.
Entre as medidas apresentadas pela empresa estão diferentes alternativas, entre elas aposentadorias e afastamentos voluntários, portanto não se trata necessariamente de 150 demissões diretas.
A definição sobre quem e quais setores serão atingidos ainda faz parte da negociação.
Seis por meia dúzia
A proposta inevitavelmente lembra o que ocorreu este ano no frigorífico Establecimiento Colonia, localizado na cidade de Tarariras, departamento de Colonia, e também pertencente ao grupo MBRF.
Em março, a empresa havia anunciado uma reestruturação que incluía uma redução de cerca de 150 trabalhadores em um quadro de aproximadamente 800 pessoas.
A proposta empresarial também incorporava mudanças na organização do trabalho e na forma de recebimento dos salários e das produtividades em determinados setores.
A reação sindical conseguiu, naquele momento, impedir a proposta de demissões e abrir uma negociação.
Mas a discussão não desapareceu: a FOICA denunciou que a reestruturação incluía alterações no acordo coletivo, com impacto sobre os rendimentos dos trabalhadores.
Apenas alguns meses depois, a mesma lógica volta a aparecer em Tacuarembó: menos trabalhadores, mudanças na organização dos turnos, alterações nos sistemas de produtividade e uma revisão da composição salarial.
Pagando o pato
O contexto é diferente, mas o mecanismo é conhecido.
No último dia 6 de agosto, as autoridades sanitárias da China suspenderam temporariamente o Frigorífico Tacuarembó para a exportação de carne bovina para aquele mercado, após a detecção de resíduos de um medicamento veterinário acima do limite permitido.
Embora esse episódio pontual possa ser utilizado como argumento, o sindicato afirma que essa reestruturação já estava planejada e faz parte de uma estratégia empresarial que busca reduzir custos às custas dos trabalhadores e que se deve, entre outros fatores, à concentração do mercado de carnes em poucas empresas.
A situação afeta especialmente o turno dos trabalhadores mais antigos, que permanecem no seguro-desemprego enquanto a negociação se desenvolve.
Para a FOICA, a dimensão da proposta permite prever uma negociação prolongada.
Cardozo afirmou que uma reestruturação com essas características não pode ser resolvida em poucos dias e que os trabalhadores analisarão as alternativas no âmbito das reuniões convocadas junto ao Ministério do Trabalho.
A FOICA já deixou claro que o custo social não pode se transformar, mais uma vez, em um problema dos trabalhadores e das trabalhadoras.
Como manifestado em uma resolução aprovada pelo Comitê Executivo, a Rel UITA reafirma seu compromisso com suas organizações filiadas do setor de carnes do Uruguai na defesa do emprego, dos salários, dos direitos trabalhistas e da negociação coletiva, diante de estratégias empresariais que pretendem transferir aos trabalhadores os impactos das oscilações do mercado, com o único objetivo de manter ou aumentar seus lucros.
